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O Mecanismo, de José Padilha, desencadeia série de polêmicas - Portal da 102 FM

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28/03/2018 às 11h39 - Atualizada em 28/03/2018 às 11h39

O Mecanismo, de José Padilha, desencadeia série de polêmicas

Reporter 102
Aurora - CE
FONTE: O Povo Online

De cara, o policial avisa: “Eu descobri o que fode com a vida de todos os brasileiros. É um câncer”. Parece uma versão escolada do Capitão Nascimento falando, mas é Marco Ruffo, o agente da Polícia Federativa do Brasil (isso mesmo) vivido por Selton Mello na série O Mecanismo, estreia da Netflix dirigida por José Padilha. A Operação Lava Jato é o centro da trama.

No ar desde sexta-feira, 23, a nova produção vem acumulando polêmicas em série. A principal delas: num dos episódios, a frase “estancar a sangria”, proferida pelo senador e ex-ministro Romero Jucá (MDB) em 2016, vai parar na boca de Lula, chamado na obra de João Higino. É como atribuir o milagre da multiplicação dos peixes a Albert Einstein. Ou afirmar que a Teoria da Relatividade foi uma descoberta de Pelé.

Desde sua chegada à plataforma de streaming, os oito episódios de O Mecanismo caíram como gasolina na fogueira da guerra política das redes sociais. No alvo dessa refrega, que se desenrola paralelamente ao julgamento de Lula no Supremo Tribunal Federal (STF) e à iminente prisão do petista, estão imprecisões narrativas, excesso de licença poética e distorções de fatos políticos da história recente do País.

Em nota, a ex-presidente Dilma Rousseff (Janete Ruscov na série) acusou Padilha de “espalhar fake news”. O diretor alegou “liberdade criativa”, classificando O Mecanismo como “uma série-comentário”. Disse também que Dilma não sabia ler – uma referência ao aviso no início de cada capítulo segundo o qual o programa é “uma obra de ficção inspirada livremente em eventos reais”.

Descontentes, militantes de esquerda puxaram um boicote à Netflix, que não se pronunciou até agora, tampouco divulgou o número de assinaturas que teriam sido canceladas de fato. Até ontem, a saúde financeira da empresa parecia desconhecer o movimento - suas ações oscilaram positivamente nas bolsas.

Mas as controvérsias não se limitam à frase de Jucá. Em seu novo trabalho, Padilha situa o caso do Banestado já sob a gestão petista – o esquema foi executado no segundo governo de Fernando Henrique Cardoso. Não há menção também ao fato de que a presidência tucana mobilizou uma operação para abafar as investigações. Em O Mecanismo, é o Ministério Público Federal (MPF) que comete equívocos. Daí o fim da investigação.

Padilha também mira noutros personagens. O juiz Sergio Moro, por exemplo, é retratado com tintas caricaturais: o magistrado é excessivamente vaidoso, predicado que ganha contornos cômicos quando ele passa a assinar suas sentenças usando a mesma grafia de quando dá autógrafos na rua.

O superintendente da PF em Curitiba é tendencioso. E a própria Polícia Federativa tem suas próprias mazelas.

Involuntariamente, porém, o diretor faz o que nenhum jornal foi capaz até hoje: oferecer um roteiro completo do impeachment de Dilma/Janete. E, segundo Padilha, foi golpe, sim. A depender da série, pelo menos. Nela, o então vice Thames e o senador fanfarrão Lúcio Lemos (Aécio Neves) conspiram para derrubar a presidente. A ação é orquestrada com a ajuda da imprensa, notadamente da Leia (qualquer semelhança com outra revista não será mera coincidência).

Outros jornais entram na roda. O MPF faz as prisões. E o ciclo se fecha quando Thames fala ao telefone para Lemos: parar tirar a presidente, vai precisar do auxílio de Penha (Cunha, ex-presidente da Câmara). Do outro lado da linha, cercado por duas beldades e empunhando um copo de uísque, o senador abre um sorriso.

Alguns pontos polêmicos da série O Mecanismo


CASO BANESTADO

A série sugere que o escândalo do Banestado, esquema de remessa ilegal de recursos para o exterior, deu-se durante o governo Lula, a partir de 2003. Na verdade, a fraude foi realizada durante o segundo governo FHC e investigada apenas em 2003.


IMPEACHMENT

Em vários momentos da série, o senador Lúcio Lemos (Aécio Neves) conspira com o vice-presidente Samuel Thames (referência óbvia a Michel Temer) para derrubar a presidente Janete Ruscov (Dilma Rousseff).



ESTANCAR A SANGRIA

Frase emblemática dita por Romero Jucá, um dos articuladores do impeachment de Dilma, “estancar a sangria” (referência às investigações e prisões da Lava Jato) é atribuída ao personagem João Higino, que seria o ex-presidente Lula

DESMEMBRAMENTO DA LAVA JATO

Noutro trecho, Higino comemora enquanto os juízes do STF decidem se acatam desmembramento de inquérito da Lava Jato, mantendo na Corte apenas os casos relacionados a autoridades com prerrogativa de foro. Acompanhando o resultado na sala de casa, o ex-presidente celebra (“vamos virar”) quando um dos magistrados vota pela unicidade do processo, o que, na prática, significaria que toda a investigação da Lava Jato passaria para Brasília.



Glossário da série O Mecanismo



JANETE RUSCOV

(ex-presidente Dilma Rousseff)


SAMUEL THAMES

(presidente Michel Temer)


LUCIO LEMOS

(senador Aécio Neves)


RICARDO BRECHT

(empreiteiro Marcelo Odebrecht)


MARIO GARCEZ BRITO

(ex-ministro da Justiça Marcio Thomaz Bastos)


TOM CARVALHO

(empreiteiro Leo Pinheiro)


PENHA

(ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha)



PetroBrasil (Petrobras)



Polícia Federativa (Polícia Federal)



MFP (Ministério Público Federal - MPF)



Procuradoria Geral Republicana (Procuradoria Geral da República (PGR)



Leia (revista Veja)



Miller & Brecht (Odebrecht)

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